Há cerca de 45 dias a Biogeoenergy, instalada no maior parque fabril da América Latina, na Iesa, em Araraquara, no interior de São Paulo, adquiriu os direitos de fabricação e comercialização de um ventilador pulmonar mecânico. Outra unidade da empresa, em Camaçari, na Bahia, também começará a fabricar o equipamento nas próximas semanas.
 
Em conjunto com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) firmou uma colaboração público-privada em prol da regularização do equipamento. Chamado de “Respira Brasil”, o modelo BR 3, é uma solução tecnológica de baixo custo, mas de alta performance, atendendo a todas as especificações técnicas exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Recentemente o equipamento passou por todos os testes exigidos pelo órgão e também testes clínicos na Santa Casa de São Paulo, sendo aprovado em todos eles.

“Os pacientes internados com a covid-19 podem desenvolver um quadro de insuficiência respiratória aguda e necessitam do ventilador mecânico. O aparelho vai fornecer ar e oxigênio com o intuito de manter o pulmão aberto, facilitar a troca gasosa e manter os músculos respiratórios em repouso, até que o paciente consiga realizar este processo sozinho”, explica a fisioterapeuta da Biogeoenergy, Ana Paula Higa Siqueira.

A empresa aguarda apenas a finalização do processo de regulamentação da Anvisa para iniciar a comercialização.

“Mesmo sem a autorização definitiva da Anvisa a gente resolveu começar a produção, isso é permitido. Nossa ideia é ter dois mil respiradores a pronta entrega assim que as questões burocráticas forem resolvidas e já temos peças e componentes para a produção de mais dois mil e em questão de dias para outros mil”, detalha o CEO da empresa, Paulo de Tarso.

O aparelho da Biogeoenergy é considerado de alta performance porque consegue manter vivo o paciente pelo tempo que ele necessitar. Ele foi construído seguindo todas as recomendações do Ministério da Saúde e da Anvisa e tem o chamado PEEP50, que é sua capacidade de fazer pressão nos pulmões para que ele continue aberto e livre para receber oxigênio. A grande maioria dos equipamentos no mercado brasileiro hoje trabalham com PEEP bem inferior e não são recomendados para uso prolongado.

“Estudos comprovam que na Covid-19 a PEEP elevada é mais eficiente para ser utilizada no tratamento, e o nosso equipamento possui a PEEP de 0 a 50”, explica Ana Paula Higa Siqueira.


Preço
Uma das grandes vantagens do equipamento desenvolvido pela Biogeoenergy é a tecnologia nacional implantada na maioria dos componentes, o que permite uma fabricação em grande escala sem a dependência das importações que têm atrasado a compra desse tipo de material pelo país.

“Pouquíssimas peças são feitas no exterior, mas como temos contrato de prioridade com a maioria dos fornecedores asiáticos nosso material nunca é retido. O transporte aéreo tem sido feito por rotas seguras que não passam em países que estão embargando muitas cargas como essa para ficar com os equipamentos. Tudo que pedimos chegou em tempo recorde”, comemora Paulo de Tarso.

Claro que todas essas características refletem no custo do respirador. Ele será comercializado com valores entre R$ 75 mil e R$ 100 mil. No primeiro caso o comprador terá uma garantia de 12 meses e no segundo terá três anos de garantia e uma vantagem impressionante em relação a seus concorrentes, que é a manutenção e reposição de peças incluídas no contrato. “Quando começamos a precisar desse tipo de equipamento no Brasil, agora com o coronavírus, percebemos o quanto a manutenção faz falta. O que temos atualmente são aparelhos importados que apenas técnicos especializados tem certificação para consertar e muitos hospitais não encontram esses profissionais ou não conseguem pagar e aí temos esse monte de aparelho quebrado. Com a gente isso não vai acontecer”, garante de Tarso.

É importante ressaltar que a Biogeoenergy não tem atravessadores no processo entre a produção e a venda. Compradores negociam diretamente com a indústria. “Estamos aqui para ajudar o país a enfrentar esse momento e colocar mais gente no processo significa aumentar preço e nós não queremos. Temos apenas esses dois valores e isso não vai mudar”, garante Paulo de Tarso


Manutenção
Para resolver o gargalo da falta de profissionais para fazer a manutenção do equipamento, a Biogeoenergy, incluiu no processo de fabricação cerca de 260 técnicos, de todos os estados brasileiros, que já atuam no reparo de respiradores eletrônicos importados, isso garante que em todo país haverá alguém capacitado para reparar o aparelho, caso seja necessário. Isso deve acontecer pelo menos mais três vezes, em um total de mais de mil profissionais capacitados. “É uma estratégia sem precedentes. Ninguém fica na mão. Se um hospital precisar de suporte, estaremos lá quase que imediatamente e no máximo em 72 horas o respirador estará novamente ajudando a salvar uma vida”, pontua o gerente industrial da Biogeoenergy, Samuel Araújo Matos.


Fabricação
Os ventiladores da Biogeoenergy serão fabricados em duas unidades da empresa em Araraquara, no interior de São Paulo, e em Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador, na Bahia.

Ambas as unidades têm hoje capacidade para fabricar até 100 aparelhos por dia. Caso necessário esse número pode aumentar.

“Um dos gargalos da nossa produção é o equipamento que faz a calibração do respirador. Esse procedimento leva cerca de 15 minutos. O aparelho que faz isso é importado e há um em cada unidade então temos que usar todos os 15 minutos do dia. Hoje isso não é um problema, mas prevendo uma alta procura e até mesmo os pedidos firmes que já temos, adquirimos outros vinte que chegarão aos poucos ao longo das próximas 4 semanas. Isso vai multiplicar em duas ou três vezes nossa capacidade de produzir os respiradores”, pontua Samuel Araújo Matos.

As fabricas foram construídas com tudo de mais moderno no setor e contam com laboratórios, salas de triagem de equipamentos e componentes, linha de montagem e áreas completamente esterilizadas para testes.


Geração de emprego
Além dos 260 técnicos que atuam na linha de montagem e que depois seguirão para seus estados, as fábricas, juntas, devem empregar diretamente cerca de 250 trabalhadores nessa fase inicial. 


Investimento
Todo processo de fabricação dos respiradores mecânicos da Biogeoenergy começou há pouco mais de 45 dias. Nesse período foram desenvolvidas soluções tecnológicas e outras foram melhoradas. As duas fábricas capacitadas para a construção dos equipamentos passaram por adaptações e dezenas de trabalhadores foram treinados. Os investimentos em desenvolvimento chegam a R$ 35 milhões. Se somadas as garantias de compra já pagas ao exterior para garantia de algumas peças esse montante ultrapassa os R$ 60 milhões.

Comunicado

Recentemente a Biogeoenergy foi alvo de uma operação coordenada pela Polícia Civil da Bahia que investiga a quebra de contrato da empresa Hempcare, que vendeu 300 Ventiladores Pulmonar (Respiradores) para o Consórcio do Nordeste, em um contrato de R$ 48 milhões e supostamente não teria entregue os equipamentos.


Diante deste fato, a Biogeoenergy precisa esclarecer alguns pontos:

A Biogeoenergy não tem e nunca teve contrato firmado com o Consórcio do Nordeste. Nossa empresa desenvolveu um ventilador pulmonar de última geração, único no Brasil, feito atendendo a todas as especificações da Anvisa. Chamado de Respira Brasil, o equipamento passou em todos os testes a que foi submetido e aguarda apenas a autorização do órgão federal para que a produção comece.
É importante destacar aqui que a Hempcare é a única responsável pelo cumprimento ou descumprimento do contrato com o Consórcio do Nordeste uma vez que ela foi quem fechou o negócio com a promessa de entregar equipamentos importados da China. A Biogeoenergy foi procurada posteriormente pela empresa paulista quando esta não conseguiu concretizar a importação.
Nesse momento a Biogeoenergy se comprometeu a vender os respiradores para a Hempcare. O destino desses equipamentos é uma decisão da empresa e não nossa. A Hempcare sempre esteve ciente de nossa situação e do tempo que seria necessário para que os trâmites burocráticos com a Anvisa fossem vencidos para o início da produção e posteriormente a entrega dos aparelhos. Nossa transação com a empresa investigada é comercial, como com dezenas de outras país a fora. Não temos compromissos firmados ou assinados com o Consórcio do Nordeste e portanto, nenhuma responsabilidade sobre a quebra de contrato da Hempcare com os governos do Nordeste.


A Biogeoenergy reafirma seu compromisso em ajudar o país a enfrentar esse momento crítico e colabora com as autoridades policiais para dirimir qualquer dúvida que venha a surgir.